terça-feira, 25 de junho de 2013

O projeto

Parte 2

Bocheiros é uma série de ficção que se passa na fictícia cidade colonizada por italianos, Sereno do Sul, localizada na Serra Gaúcha. Sereno do Sul, pacata cidade com 2.036 habitantes, tem uma rivalidade “secular” com a vizinha Nova Serração, cuja população é de 2.035 habitantes. A primeira, localizada às margens do Rio das Antas, foi um importante porto para a região até os anos de 1970 quando perdeu sua importância com a abertura da Estrada Geral, cujo traçado da rodovia, inesperadamente, abençoou a comunidade de Nova Serração. Assim, ao se emancipar de Sereno do Sul, Nova Serração acabou ficando mais próxima da estrada o que contribuiu para que a cidade logo crescesse e se modernizasse. Enquanto isso ocorria, a população de Sereno do Sul, praticamente amordaçada, apenas acompanhou com os olhos a modernização da rival enquanto via sua economia encolher mais e mais.

Por isso, a prefeita de Sereno do Sul moveu montanhas para trazer à cidade o Mundial Interclubes de Bochas, importante torneio esportivo que servirá para colocar novamente Sereno do Sul na rota dos grandes eventos internacionais, mostrando ao mundo, e à rival Nova Serração, o poder político e econômico da cidade-mãe. No entanto, o torneio servirá também para abrir velhas feridas em parte da população, reacendendo disputas entre seus moradores e revelando segredos “milenares” os quais tem o poder de desequilibrar a frágil harmonia local.

As cidades de Santa Tereza e Monte Belo do Sul, localizadas no Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, serão as locações dessa série, sendo que a primeira será Sereno do Sul enquanto que a segunda será Nova Serração. Assim, além de valorizar as comunidades locais e suas histórias, a série servirá para destacar a região que tem enorme potencial turístico, abordando em diversos níveis a história local, seu povo e sua cultura.

Uma vez que conta com um preservado casario eclético remanescente do período da colonização italiana, quando a cidade era um importante porto de escoamento da produção das colônias para Porto Alegre via Rio das Antas/Taquari, Santa Tereza, recentemente, foi tombada pelo IPHAN como Patrimônio Arquitetônico e Cultural Nacional por ainda apresentar características de vila do início do século passado. Santa Tereza e Monte Belo do Sul, a exemplo das cidades fictícias criadas para essa série, também desenvolveram ao longo dos anos uma relação de rivalidade sadia que colabora para com o folclore das cidades. Os habitantes, tanto de uma quanto da outra, dizem que tal rivalidade já existia na Itália e atravessou o oceano no bojo dos imigrantes para perpetuar-se aqui no sul do Brasil.

Bocheiros justamente pretende, através da ficção, destacar as características do povo italiano, reconhecido mundialmente pelo seu comportamento ambivalente que pode variar da imensa alegria à mais profunda irritação em questão de segundos. Através das atuações e da figuração dos habitantes de Santa Tereza e Monte Belo do Sul, a série pretende trabalhar essas características inerentes à cultura italiana para falar de relações humanas, discutindo a inveja, a raiva, a traição, o amor, enfim, todos esses elementos que nos tornam seres complexos, imperfeitos, sensíveis, humanos.

O pano de fundo dessa história é o Mundial Interclubes de Bocha. Esse esporte, a bocha, tem forte relação com a região e é muito praticado em todos os países onde ocorreu imigração italiana como Austrália, Argentina, Brasil e Nova Zelândia. No entanto, para aqueles que não tem relação direta com a cultura italiana, a bocha é tido como um esporte chato, desinteressante e reducionista quando é justamente o contrário. O oitavo campeonato mundial que ocorreu em Carlos Barbosa, no ano passado, teve a participação de 15 clubes de 14 países diferentes, reunindo em torno das canchas mais de cinco mil pessoas em quatro dias de competição. Percebe-se pela narrativa da matéria publicada na Revista da Bocha que o esporte realmente não condiz com a fama de monótono. “O time italiano foi impecável durante as mais de três horas de partida contra o Três Lagoas. A torcida da equipe de Garibaldi compareceu em massa ao Ginásio Santo Antônio de Castro para apoiar, fez sua parte, mas no final só restou aplaudir e reconhecer a superioridade de Mirko Savoretti e seus companheiros. Itália 2 a 0, parciais de 15 X 5 e um 15 x 0 arrasador”. Ou seja, mesmo com um placar tão elástico, a partida foi difícil, nervosa e emocionante.

Por isso, optamos por trabalhar a bocha como pano de fundo dessa série. Justamente para brincar e desconstruir a visão do público em geral para com o esporte oriundo da cultura daquela região. No entanto, a série, por se tratar de humor, tende a exagerar nos fatos, destacando a importância do esporte e dos desportistas como se o mesmo se tratasse de uma Copa do Mundo de futebol.

Bocheiros é um projeto que nasce da aproximação de jovens profissionais com outros um tanto mais experientes. Os roteiristas Luciano Braga, Marcela Bordin, Thiago Duarte e Tomas Fleck participaram do  projeto Alfaitaria, da Coelho Voador, contemplado no FAC do ano passado. Esse projeto da Coelho Voador consistia em reunir grupos de jovens aspirantes a roteiristas para escreverem, sob a orientação do roteirista Leo Gracia, duas séries televisivas. A partir desse contato entre o roteirista Leo Garcia com os jovens participantes da Alfaiataria, nasceu a idéia de desenvolver o argumento dessa série que, agora, aqui estamos apresentando. Bocheiros, apesar de não ter relação direta com a Alfaitaria de Roteiros, deriva do encontro proporcionado pelo projeto da Coelho Voador comprovando assim que a aproximação e o contato são imprescindíveis para o desenvolvimento de novos projetos. Leo Garcia também é o roteirista da aclamada série Sapore d’Italia, realizada pela Epifania Filmes para a RBS TV.

Dirigida por Boca Migotto e Rafael Ferretti, com Produção de Mariana Müller e Fotografia de Bruno Polidoro, Sapore d’Italia foi a primeira série de ficção da RBS TV gravada no exterior, conseqüência da ousadia e coragem dos realizadores em apostar em um produto diferenciado com locações no norte da Itália. Ou seja, é uma equipe que já trabalha junto, que já desenvolveu uma série para TV dialogando com a temática italiana e teve enorme repercussão positiva atingindo mais de 5 milhões de espectadores através da exibição dos 5 programas no Rio Grande do Sul, além da exibição internacional da mesma através da Globo Internacional para os cinco continentes onde a mesma é transmitida. Ou seja, a Epifania Filmes gostaria de repetir o sucesso, oportunizando aos novos talentos um espaço para desenvolverem seu trabalho.

As cidades da região sabem do potencial que o audiovisual tem para divulgarem suas qualidades e, além disso, conhecem e reconhecem o trabalho da Epifania Filmes, produtora que desenvolve inúmeros documentário na região, ajudando a preservar, assim, a cultura local. É por tais motivos que tanto a Prefeitura de Santa Tereza como de Monte Belo do Sul, através de documentos anexados a esse projeto, demonstram seu interesse em apoiar as gravações de Bocheiros e, desde já, assim como toda a equipe da Epifania Filmes, torcem pela sua seleção.








Pelo diretor da série, Boca Migotto.

*A cada dia, um texto referente a série será postado.

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