segunda-feira, 24 de junho de 2013

Bocheiros

Parte 1

BOCHEIROS

As intenções desse texto são várias. Acredito que a principal de todas seja compartilhar com o público em geral um pouco do processo de produção do projeto intitulado Bocheiros, um dos vencedores do FAC Pólo Audiovisual 2012, filmado no mês de junho de 2012 na cidade de Santa Tereza, na Serra Gaúcha. Outro motivo que justifique o trabalho de colocar "no papel" um pouco do que foi o processo de realização da série é refletir sobre a mesma. 

Escrever demanda pensar, pensar nos faz rememorar os passos dados, pensar nos passos dados desde o ano passado até nesse momento, quando a série está, já, em processo de edição, significa refletir sobre tudo isso. Por último, que este texto seja útil para aqueles que estão aprendendo a produzir audiovisual no Brasil, sejam eles estudantes de cinema ou não. Por isso, decidi incorporar a esta reflexão os textos que fizeram parte do projeto inscrito no edital. Se essas observações ajudarem um único estudante interessado em um case de produção, o esforço terá tido razão de ser. Então, vamos lá.

O PROJETO – OS PARCEIROS

O projeto Bocheiros nasceu de uma parceria já antiga com a produtora de roteiros Coelho Voador. A Epifania Filmes e a Coelho Voador já haviam se aproximado em várias oportunidades, dentre elas, a principal experiência foi produzir a série Sapore d’Italia, para a RBS TV/Globo.

Sapore d’Italia foi filmada no norte da Itália e na região de Bento Gonçalves, em épocas distintas, caracterizando, claramente, duas fases de captação. Foi durante a segunda fase das gravações da série que acontecia em Bento Gonçalves, quando Leo Garcia, roteirista e proprietário da Coelho Voador, ficou sabendo que o projeto Alfaitaria de Roteiros havia sido contemplado no FAC – Fundo de Apoio a Cultura daquele ano. A Alfaitaria nasceu de uma ideia original do Leo de reunir vários profissionais de cinema para, juntos, pensarem argumentos para filmes e séries de TV. 

A primeira edição ocorreu na base do “amor a camiseta”, ou melhor, do interesse de cada integrante daquela Alfaitaria de desenvolver coletivamente um argumento seu de longa-metragem que já estivesse, de certa forma, em desenvolvimento. Acredito que tenha sido dessa primeira experiência do Leo que surgiu a ideia de inscrever no FAC uma Alfaitaria de Roteiros que fosse remunerada, voltada para jovens roteirista do mercado e estudantes de cinema a fim de desenvolverem argumentos para séries de TV, um gênero que já identificamos como importante para esse novo momento da indústria audiovisual brasileira.

Os argumentos da série Bocheiros não surgiram diretamente da Alfaitaria, mas sim de alguns integrantes do projeto os quais, juntos, decidiram escrever especificamente para o edital do Governo do Estado. Nesse momento. já estava acordado que a Epifania Filmes produziria a série se esta fosse aprovada no edital.

Depois de uma rápida reunião de onde surgiram algumas ideias, foi decidido que abordaríamos o universo da bocha, um esporte bastante praticado no interior do Estado mas totalmente inusitado para a grande maioria das pessoas. Uma vez definido isso, pude indicar que a série se passasse em Santa Tereza, cidade com apenas dois mil habitantes, localizada próxima a Bento Gonçalves e tombada pelo IPHAN recentemente como patrimônio arquitetônico do Brasil.

A bocha é um esporte muito praticado em países como Portugal, Espanha, França e, principalmente, Itália. Essa relação dos italianos com a bocha deve ser muito antiga pois a sua prática, até onde imagino, atravessou o oceano com os imigrantes e veio parar aqui no sul do Brasil. Várias cidades da região italiana do Rio Grande do Sul já sediaram mundiais de bocha. Garibaldi, Passo Fundo, Carlos Barbosa já foram sede e mantem estruturas fixas para a prática do esporte. 
No entanto, apesar de tudo isso, quase ninguém fora da região citada pratica ou praticou a bocha, tido ainda como um esporte de velhos. Da equipe do Bocheiros, eu era um dos poucos que tinha tido alguma experiência com o esporte pois o praticara com o meu pai quando mais jovem. Para os roteiristas, por exemplo, a bocha era algo tão inusitado que lhes foi necessário comprar um livro para aprender um pouco sobre as regras do jogo, assim como frequentar a SOGIPA, onde o avô da nossa amiga e colega de trabalho Iuli Gerbase pratica a bocha com amigos.

Com isso, Leo Garcia e os roteiristas Luciano Braga, Marcela Bordin, Thiago Duarte e Tomas Fleck, se reuniram para dar conta das demandas do edital enquanto, por outro lado, eu, como diretor, me concentrava na argumentação narrativa, justificativa da proposta e ideia geral de concepção enquanto a minha sócia e produtora executiva, Mariana Müller, orçava o projeto e organizava a papelada necessária para a inscrição no edital. Para conhecimento geral, penso que possa ser interessante publicar aqui os textos escritos em defesa do projeto. Assim, antes de dar seguimento a nossa análise sobre o processo de produção da série Bocheiros, fiquem com o texto presente no projeto.

Pelo diretor da série, Boca Migotto.

*A cada dia, um texto referente a série será postado.













*A cada dia, um texto referente a série será postado.

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