quarta-feira, 22 de maio de 2013

"Bocheiros" pelo diretor, Boca Migotto

Findada a primeira semana de gravações da série Bocheiros, estamos nos encaminhando para os últimos sete dias de produção. Até agora foram meses de preparação para estarmos em Santa Tereza nesses quinze dias, aproveitando as potencialidades da cidade, sua cultura e seus habitantes em torno de uma história de ficção que aborda o inusitado esporte da bocha.

A bocha é um esporte que vem com os imigrantes italianos e aqui no Brasil se transforma em um dos principais elementos culturais da região serrana do Rio Grande do Sul. Na Europa, a bocha é bastante praticada nos parques públicos na França, na Itália, também na Espanha. Aqui no Brasil a mesma é tratada com mais seriedade, vamos dizer assim, proporcionando disputas acirradas entre times de diversas cidades da região.

Carlos Barbosa e Garibaldi, duas cidades de colonização italiana que se localizam bem próximas a Santa Tereza já receberam o campeonato mundial de bochas e tem, em suas cidades, os principais jogadores de bocha do país. Ou seja, se o roteiro de Bocheiros fala do acontecimento do Campeonato Mundial de Bochas em Sereno do Sul, nome fictício para Santa Tereza, isso não é nenhum absurdo. De fato, o mundial de bocha ocorre com certa assiduidade na região, levando seus habitantes à loucura.

A série se passar em Santa Tereza se dá por duas razões principais: 1) o patrimônio arquitetônico da cidade preservado e 2) o apoio irrestrito da comunidade e do poder público de Santa Tereza que nos ajudou a viabilizar a série na cidade. Quanto ao patrimônio arquitetônico, Santa Tereza é um diferencial no sul do Brasil. Uma cidade, com ares de vila italiana, que precisa ainda ser descoberta pelo turismo. Tal reconhecimento se dá, inclusive, através do IPHAN, que tombou as principais ruas da cidade como patrimônio arquitetônico, preservando, dessa forma, prédios construidos no início do século passado quando a cidade era um importante porto fluvial para a região. A segunda razão para estarmos em Santa Tereza tem a ver com a visão institucional do poder público da cidade que percebeu nas gravações da série uma oportunidade de divulgar a cidade, valorizando justamente sua arquitetura e sua população, ambos, os diferenciais que ajudarão, certamente, Santa Tereza encontrar um espaço na agenda turistica da região.

Os roteiros foram aprovados e muito bem trabalhados pela equipe da Coelho Voador, através dos roteiristas Leo Gracia, Luciano Braga, Marcela Bordin, Thiago Duarte e Tomás Fleck. Com as locações selecionadas e o comprometimento da cidade para com a produção, resta montar equipe, constituir elenco e pensar a concepção artística da série junto com a demais áreas criativas do processo. Assim, a produtora Mariana Muller conseguiu, mesmo dentro dos limites orçamentários da produção, montar uma equipe especial para tocar as gravações. Desde a Producão de Set, Elétrica, equipe de motoristas, assistentes, passando pelo sempre parceiro Bruno Polidoro na Fotografia, Bernardo Zortéa na Direção de Arte e a Iuli Gerbase assistindo a direção com talento, organização, comprometimento e colaboração artística, todos abraçando o projeto e sendo abraçados pela comunidade de Santa Tereza e pela Epifania Filmes.

Uma das vontades minhas como diretor era explorar a estética local, trabalhando os elementos artísticos da região, as peculariedades da arquitetura local, as cores típicas da região, o jeito de se vestir. Também explorar a questão do tempo no, que é bastante inconstante, misturando calor, frio, serração, chuva, sol. Propor uma reflexão sobre a dicotomia que aborda a questão do progresso e da importância da preservação do patrimônio cultural, arquitetônico e da memória regional. Alem disso, a linguagem pedia uma interpretação mais "teatral", brincando com os esteriótipos de cada personagem e, também, proporcionado mais "espaço" para em quadro para a interpretação dos atores. Por isso, foi necessário conversar muito com a direção de arte e direção de fotografia em busca do tom perfeito que aproximasse estética, interpretação, linguagem e limitações orçamentárias.

Tudas as escolhas se mostraram acertadas ao longo da primeira semana de gravação. Percebe-se isso na tranquilidade como o set se realizou até aqui e também no resultado final, naquilo que foi impresso, que foi gravado e que será editado e se transformará no produto final. De fato Deus nos ajudou um pouco na questão "tempo". Tivemos uma semana de frio intenso, com formação de geada, inclusive, chuva forte, serração, calor e, salvo algumas adaptacões necessárias, tudo correu bem graças ao talendo de cada integrante da equipe e a organização precisa da equipe de produção liderada pela Mariana.

Tudo isso nos dá segurança e tranquilidade para iniciarmos, amanhã, nossa segunda semana de gravações. Espero, lá no final do processo, poder aprofundar melhor as questões técnicas e estéticas aqui, até para podermos refletir melhor sobre o processo como um todo, e relatar que a segunda semana também transcorreu perfeitamente bem.

Boca Migotto
www.epifaniafilmes.com
http://www.youtube.com/user/bocamigotto1
http://vimeo.com/epifania
https://www.facebook.com/boca.migotto
http://instagram.com/bocamigotto



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