quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Christian Cinetto parla di Sapore d´Italia


As impressões que ficaram não são apenas as nossas. No texto abaixo, traduzido na sequência, a produção italiana fala da experiência em Sapore d´Italia. O texto foi escrito antes que eles (Christian e Marta, produtora também) chegassem ao Brasil para a premiere - que aconteceu na semana passada - e posto hoje como uma homenagem à volta deles para a Itália, com a promessa que em breve nos reencontraremos em outros sets ou, va benne, que seja para tomar vinho e dar boas risadas. Ganhamos com esse projeto excelentes colegas e ainda melhores amigos.

"A settembre 2010, in una riunione durante il Festival di Venezia, avevamo deciso che il 2011 sarebbe stato un anno preparatorio per permettere a Jengafilm di proporsi alle troupe straniere, in particolare tedesche, inglesi e francesi, per realizzare i propri film low budget in Italia. Qui da noi, la patria di Cinecitta' e del cinema del neorealismo, si pensa che low-budget significhi gioco per ragazzini. Appena si varca il confine tutto cambia, anche le grandi produzioni conoscono il nuovo inarrestabile fenomeno del produrre film con le tecnologie digitali e le troupe ridotte all'osso guidate da filmmaker molto capaci.
Dicevamo che ne stavamo discutendo alla Mostra del Cinema di Venezia, non ricordo la data esatta, ma ricordo bene un aneddoto di quel giorno. Erano le 3 del pomeriggio e stavo camminando tra l'hotel Excelsior ed il red carpet. Non c'era molta gente, tutti in sala a capire se ci fosse qualche buon film. Ad un tratto mi sento urtare pesantemente la spalla, mi volto per rispondere all'italiana, ma non ci riesco. La persona che goffamente e pesantemente mi aveva colpito era il presidente della giuria del Festival. Un omone grande e sgraziato con la faccia troppo particolare per non notarsi e all'anagrafe di nome fa Quentin Tarantino. Sotto shock per lo scontro ravvicinato, incrocio Miriam una mia amica attrice e filmmaker italo-brasiliana. Mi parla del festival e mi accenna di un progetto brasiliano. Un attimo. Hai detto Brasile Brasile? Quello dei calciatori, le ballerine, il caffe', il mate, le telenovela e Julio Iglesias? Quel Brasile? Miriam mi parla del progetto molto eccitata, io sono perplesso. Noi non siamo ancora pronti e poi parlavamo di Europa. Come terremo i rapporti, le telefonate, i documenti e soprattutto le location chi le vedra'?
Due mesi dopo eravamo in pista in giro per il Veneto a guardare luoghi, sentire politici e amici del popolo brasiliano. Soprattutto stava diventando una bella abitudine il contattarsi via skype e vedere Mariana, Boca e Tombini bere mate e sudare mentre da noi fuori nevicava. Si', loro sono proprio dall'altra parte del mondo.
E' stato un incipit lungo,ma inevitabile per capire quanto straordinaria sia stata quest'avventura. I 9 magnifici componenti della troupe ci hanno colpiti da subito. 
Sono sincero, anche se via skype nutrivo una forte simpatia per questi ragazzi, quando mancavano pochi giorni alle riprese credevo che non ce l'avremmo potuta fare. Troppa strada, troppe locations, troppi attori e troppe esterne. Soprattutto pochi, troppo pochi soldi per un progetto cosi' ambizioso. Potrei scrivere un romanzo sulle nostre avventure, sui 5300km fatti insieme, su un aprile mai cosi' caldo nella nostra storia, sulle poche persone che prima hanno detto sì e poi no, sulle tante che hanno detto no e poi sì, sull'emozione di Ferretti e Boca la prima volta che hanno sentito una signora parlare Veneto, su Arthur che di sera guidava un' apecar piu' piccola di lui, su Tombini che intratteneva una gita di ragazzi Napoletani vestito da Romeo, su Poli con gli occhi rossi felice dopo l'ultimo ciak di notte, su Basso che sistemava i microfoni delle signore almeno 10 volte, su Juli che ha tenuto a bada 2 registi col doppio dei suoi anni e su Mariana che ci ha creduto fino alla fine.  E come direbbe Leo Garcia, aumento ma no invento.
La troupe e' stata straordinaria, professionisti giovani, ma consapevoli. Gente che è riuscita ad alzarsi alle 7 del mattino e a stare sul set fino alle 24 senza sosta. E il giorno dopo ancora, senza una lamentela, ma con tanta gioia. La gioia, quella che qui in Europa si è smarrita, è ciò che più ci ha contagiato della troupe del Rio Grande do Sul. Una gioia che ha scosso una domenica pomeriggio di una sonnolenta Belluno, che non capiva che festa ci fosse in strada con una decina di persone che ballavano e si divertivano; una gioia che ha illuminato un piccolo bar nel paese di Arsiè da cui molti se ne andarono a fine ‘800 per far fortuna in Brasile e che farà parlare della troupe brasiliana per qualche anno a venire, più di Sandra Bullock che pure ha girato da quelle parti; una gioia che ha contagiato persino l’anziano parroco di Auronzo di Cadore, che ha improvvisato un brindisi davanti alla chiesa prima di dire Messa.
Ora stiamo per partire. Partiamo per avvicinarci ad una terra lontana, ma che con lo spirito ci è molto, molto vicina. Veniamo in Brasile ad abbracciare amici, ad incontrare altri filmmaker che ispireranno i prossimi lavori. Sì, perchè nel futuro, nel nostro futuro, ci sarà ancora molto spazio per le troupe brasiliane. Quelle europee dovranno aspettare il proprio turno. Padova, 19 Luglio 2011, 30 gradi".
Christian Cinetto - Jengafilm

"No mês de setembro de 2010 em uma reunião durante o Festival de Venezia havíamos decidido que 2011 seria um ano preparatório para permitir a Jengafilm de trabalhar com equipes estrangeiras, em particular as alemãs, inglesas e francesas, para que realizassem seus filmes de baixo orçamento na Itália.
Aqui na Italia, na terra de Cinecittá e do cinema neorealista, quando se pensa em baixo orçamento se imagina brincadeira de adolescentes. Apenas cruzando a fronteira tudo muda, até as grandes produções conhecem o novo fenômeno de produzir um filme com tecnologias digitais e equips pequenas e muito profissionais. Estavamos conversando na Mostra de Cinema de Venezia, não lembro a data exata, mas me lembro bem de uma situação aquele dia. Era 3 da tarde e estava caminhando entre o Hotel Excelsior e o tapete vermelho. Não havia muita gente, todo mundo dentro do cinema esperando para ver um bom filme. De repente senti uma trombada nas costas, me viro para responder no estilo italiano mas não consigo. A pessoa que desajeitadamente e com força me atingiu era somente o presidente do juri do festival. Um homem grande e esquisito com um rosto muito incomum de nome Quentin Tarantino. Ainda em choque pela maneira como o encontrei, cruzo com minha amiga atriz e filmmaker italo-brasileira Miriam Marini. Me fala do festival e me conta com um projeto brasileiro. Só um pouquinho! Disse Brasil Brasil? O país dos jogadores, das mulatas do samba, do café??? Aquele Brasil? Miriam me fala do projeto muito excitada, eu fiquei perplexo. Nós não estavamos ainda prontos e além disso falavamos de Europa. Como faremos os contatos, os telefonemas, os documentos e sobretudo as locações necessárias?
Dois meses depois estavamos na estrada pela região do Vêneto a olhar locais, conversar com políticos e pessoas que tinham alguma relação com o Brasil. Acima de tudo estava sendo um bom habito aqueles contatos pelo skype e poder ver Mariana, Boca e Tombini bebendo chimarrão suando enquanto a neve aqui em Padova caia do lado de fora. Sim, eles estão do outro lado do mundo.
Essa introdução foi um pouco longa, mas inevitável para entender o quanto foi extraordinária essa aventura. Os 09 magníficos membros da equipe nos tocaram em cheio. Sendo bem sincero, mesmo pelo skype ja nutria uma forte simpatia por eles, e mesmo quando faltavam poucos dias para o início das gravações achava que não seria possível. Muita estrada pela frente, muitas locações, muitos atores e muitas cenas externas. Sobretudo pouco, muito pouco dinheiro para um projeto tão ambicioso. Poderia escrever um romance sobre a nossa aventura, sobre os 5300km percorridos junto, sobre um mês de abril nunca antes tão quente, sobre as poucas pessoas que antes haviam dito sim e depois não, sobre as tantas pessoas que antes disseram não e depois disseram sim, sobre a emoção de Ferretti e Boca na primeira vez que ouviram uma senhora falando Veneto, sobre Artur que a noite dirigia um 'apecar' menor que ele, sobre Tombini que vestido de Romeu divertia uma excursão de crianças napolitanas, sobre Poli com os olhos vermelhos e feliz depois da última claquete da noite, sobre basso que ajustava o microfone lapela das meninas pelo menos umas dez vezes, sobre Iuli que teve controle sobre dois diretores com o dobro da sua idade, sobre Mariana que acreditava sempre e até o final. E como dizia Leo Garcia: eu aumentomas não invento.
A equipe foi extraordinária, jovens profissionais porém cientes do que faziam. Gente que conseguia levantar as 7 da manhã e ficar ate a meia noite trabalhando sem cansar. Dia após dia, sem uma reclamação sequer, mas com muita alegria. A alegria que aqui na Europa se perdeu, mas que era aquilo mais contagiante na equipe do Rio Grande do Sul. Uma alegria que abalou uma tarde sonolenta de domingo em Belluno e que ninguém entendia que festa era aquela na rua com uma dezena de pessoas que dançavam e se divertiam; uma alegria que iluminou um pequeno bar na cidadedizinha de Arsiè, da qual muitos partiram no século 19 para tentar a sorte no Brasil, e que falarão muito da equipe Brasileira por alguns anos ainda, mais do que Sandra Bullock que também havia filmado por aquela parte; uma alegria que contagiou o velho padre de Auronzo di Cadore, que improvisou um brinde com grappa em frente a igreja.
Agora estamos por partir. Partimos para nos aproximarmos de uma longiqua terra mas que com o espírito é muito próxima. Vamos ao Brasil para abraçar os amigos, encontrar outros cineastas para outros projetos. Sim, porque no futuro, no nosso futuro, haverá muito espaço para as equips brasileiras. As equipes européias deverão esperar pela sua vez. Padova, 19 de julho de 2011. 30 graus".

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