terça-feira, 24 de maio de 2011

Fim da fase de captação de Sapore d´Italia

A fase brasileira das gravações de Sapore d’Italia iniciaram com a ida da equipe e dos atores para Bento Gonçalves no domingo, dia 15 de maio. Durante todo o percurso, chuva e a apreensão sobre como seria o tempo ao longo da semana. As previsões não eram muito claras, falavam em sol com nuvens e possibilidade de chuvas esparsas, e nós sabíamos que o sol seria o diferencial para conseguirmos impactar o espectador já na primeira cena.

Pensamos em abrir a série com um casamento, ao ar livre, onde seriam apresentados os personagens principais, o lugar onde esses personagens viviam e o conflito pessoal de Marco. A locação para esse casamento foi escolhida a dedo, uma belíssima casa colonial na Linha Eulália, no interior Bento Gonçalves. Para o caso de chover, tinhamos, nessa casa, a possibilidade de realizarmos a cena internamente, num porão muito bonito, com pé direito alto, cheio de pipas antigas e paredes de pedra, entretanto, o casamento que queríamos era cheio de luzes, banda tocando ao vivo, muitos figurantes vestidos impecavelmente, vinho e inúmeras situações ao ar livre, valorizando a paisagem do local. O casamento deveria começar de tarde e finalizar a noite, aproveitando as cores do céu na hora mágica, o pôr do sol. Por isso, chegamos em Bento um tanto preocupados, mas confiantes de que o tempo estaria sim aberto para rodarmos essa cena e também a cena do acidente de carro do “chefe”, personagem vivido por João França.


LOCAÇÃO ESCOLHIDA PARA O CASAMENTO

O primeiro dia de gravação, na segunda-feira, iniciou no Restaurante Sbornia’s, no Vale dos Vinhedos. O tempo estava bom, muito frio, mas com poucas nuvens. A idéia era transformar o tradicional restaurante do Vale dos Vinhedos na cantina do Simone antes e depois de sua viagem para a Itália. Antes, uma cantina decadente, quase falida, e, depois, a reinauguração da mesma cantina com muitos figurantes, festa e música. A presença do nosso diretor de arte Bernardo Zortéa foi fundamental para atingirmos o objetivo de marcar bem essas duas situações na vida do personagem. Aliás, a presença de toda uma equipe afinada já na Itália somada a outros profissionais que aqui nos acompanharam fez toda a diferença para conseguirmos imprimir uma estética bem próxima do que imaginávamos para o Brasil. As paisagens da Itália e as locações internas de lá nos garantiram imagens belissimas, com uma arte e fotografia bem resolvidas, mas aqui, com o suporte do diretor de arte Bernardo, do figurinista, Bruno Padjem, do produtor de set Marne Pereira e do eletrecista Joacir Fontana, além da equipe de produção local coordenada pelo Felipe Gue Martini, e formada por três alunos da Faculdade Cenescista; Ana Cris Paulus, Fernando Menegatti e Deise Chagas, conseguimos fazer diferença a nas gravações. É impossível negar a importância de todos esses profissionais no set. Eles eram peças importantes que não tivemos na Itália, uma vez que a equipe era reduzida, e nós mesmos tínhamos que pensar em todos os detalhes.


OS DETALHES DA ARTE DO BERNARDO.



CANTINA DO SIMONE ANTES: UMA ÚNICA FREQUENTADORA.


CANTINA DO SIMONE DEPOIS: SUCESSO TOTAL.

Nesse dia tivemos a grata surpresa da presença do diretor italiano Gian Vittorio Baldi no set de filmagem. Baldi está no Brasil para filmar seu novo projeto O céu sobre mim e, sabendo da presença da nossa equipe na cidade, apareceu lá para nos conhecer e conversar um pouco sobre as gravações. Para nós foi uma honra conhecê-lo. Baldi é um dos remanescentes da geração que criou o neo-realismo italiano e trabalhou com cineastas como Robert Bresson, Jean-Luc Godard e Pier Paolo Pasolini. Um dos mais importantes cineastas daquela geração ainda em atividade na Europa, Baldi recebeu já dois Leões do Festival de Veneza e uma indicação ao Oscar. Seu filme Fuoco (1968) foi considerado, no Festival de Berlin de 2003, um dos cinco melhores da história do cinema italiano. Sob o olhar atento do diretor italiano, realizamos as gravações da “nova cantina de Simone”. O músico Walmor Marasca, vivendo um padre alegre que gosta de tocar gaita, abriu as festividades de reinauguração da cantina e os figurantes, todos maravilhosamente bem vestidos e maquiados, participaram com muita disposição das gravações. Para essas cenas mais difíceis, com muito figurino, ainda tivemos a ajuda da estudante de cinema da PUC, Giane Milani, que é natural de Bento e foi colega de faculdade na PUCRS dos nossos dois assistentes de direção, a Iuli Gerbase e o Emiliano Cunha. A noite nos foi oferecido um jantar no restaurante House Beer e depois, todos cansados, direto para o hotel para descansar para a diária seguinte.


BALDI (DE CASACO PRETO) OBSERVANDO A CENA ENTRE OS FIGURANTES.


A segunda diária começou com as gravações no asilo Lar do Ancião, o mesmo asilo onde vivia aquela noninha simpática, a qual não lembro o nome, mas que ficou famosa no Brasil todo ao aparecer no quadro do Mauríco Kubrusly no Fantáscio, Me Leva Brasil, dirigindo seu fusca pelas ruas de Bento. Gravamos o mais rápido possível para não perturbar o cotidiano dos velhinhos. Assim, em menos de duas horas já estávamos nos deslocando para Pinto Bandeira, onde almoçamos na Vinícola Don Giovani. Um almoço – polenta e galinha em molho - oferecido pelos proprietários da vinícola. Lá fizemos a primeira cena da série, “um velhinho recolhe garrafas de vinho em uma adega, enquanto ouvimos uma música animada tocando ao fundo. À medida que o “nonno” avança na escuridão da adega a música aumenta, até que, enfim, chegamos a festa de casamento da “Valentina” (filha do chefe e vivida pela atriz Gisela Sparremberger). O nosso “nonninho” era José Mário, um senhor de 95 anos que passa tranquilamente por 75, e aceitou participar das gravações com a mesma disposição de um menino de 12 anos.


GRAVANDO NO LAR DO ANCIÃO.


BOCA E FERRETTI COM O SEU JOSÉ MÁRIO: 95 ANOS COM MUITA DISPOSIÇÃO.

Da vinícola Dom Giovanni, atravessamos a cidade outra vez para chegarmos ao Estádio da Montanha. Mais figuração da cidade, dessa vez jovens da torcida organizada do Clube Esportivo de Bento. Entre um deslocamento e outro, comentamos sobre a quantidade enorme de locações dessa série. São tantas locações que seria preciso sentar e fazer uma conta, mas uma coisa é certa, aproveitamos ao máximo a oportunidade de fazer essa série internacional. Mesmo na Itália, onde problemas surgiram, nós nunca eliminamos uma locação, pelo contrário, adaptamos cenas longas para poderem ser gravadas em mais de um lugar, valorizando ao máximo as paisagens das cidades onde estávamos gravando. Em Bento, claro, o controle da situação era muito maior. Conhecemos a cidade, conhecemos pessoas lá que sempre nos apoiaram. Em Bento, ao contrário da Itália, fomos várias vezes visitar, ver e rever as locações, realizar reuniões e com isso definimos melhor todo o cronograma.


SIMONE NO SEU EMPREGO NOVO E OS FIGURANTES, TORCEDORES E JOGADORES DO ESPORTIVO.

Após a diária, o Restaurante Piacenza ofereceu um jantar a toda a equipe da Epifania Filmes. Foi a primeria vez que a nossa atriz italiana foi apresentada ao rodízio de pizzas brasileiro, fato inusitado na vida de uma italiana acostumada com uma das melhores pizzas do mundo. As pizzas italianas são tradicionais, não variam muito de restaurante para restaurante, e têm sempre os mesmos sabores tradicionais. Imagine a admiração da Miriam ao provar pizza de picanha, banana e chocolate com morango. Diz ela que preferiu as pizzas do Piacenza, tanto que ia acumulando pedaços de pizza de todos os sabores no seu prato, provando tudo que lhe era oferecido. Nessa noite compramos algumas garrafas de vinho para beber e conversar até um pouco mais tarde uma vez que a diária seguinte começaria apenas as dez horas da manhã pois se prolongaria até tarde da noite.

Na quarta diária, finalmente aconteceu a cena do casamento. Uma cena pensada há tanto tempo, complexa, com muitos figurinos, uma grande logística de produção e um trabalho de arte meticuloso. O tempo foi perfeito com a gente, dia de sol, céu claro, para embelezar ainda mais a nossa locação. Os figurantes foram sensacionais, pacientes, carinhosos com a equipe e muito profissionais. Todas pessoas de Bento, Garibaldi e Carlos Barbosa, com a participação especialissima do nosso já conhecido padre-cantor, o Marasca. Famoso na Serra, mas famosissímo na Itália, Marasca é daquelas pessoas que só pensa no bem dos outros, tem um coração de ouro que é refletido no seu sorriso largo, e a alma leve que só uma pessoa de bem possui. O diretor Baldi esteve presente também, com o seu diretor de fotografia, recém chegado da Itália, o filho, ator de novella e muito conhecido na Itália, e sua assistente de direção, que é brasileira. Fizeram questão de ver o trabalho da equipe da Epifania Filmes e, ao sair, Baldi nos chamou de canto para dizer que estava impressionado e maravilhado com o que tinha visto lá. Um cena que começou as duas horas da tarde e terminou as dez horas da noite realizada em sua plenitude. Na cena do casamento, pela primeira vez em toda a série, contamos com uma grua, muito bem aplicada na gravação dessa cena. Para isso contamos com o apoio da Majola Video, administrada pelo André Majola, que proporcionou à Epifania Filmes a grua, um steadycam, o operador e o estúdio da sua produtora, onde gravaríamos a cena do programa de televisão, na qual Marco é entrevistado pela apresentadora do “Bento em Revista”, interpretada pela Patricia Larentis, jornalista da rádio UCS.


A TÃO TEMIDA E ESPERADA CENA DO CASAMENTO:
OS NOIVOS VALENTINA (GISELA SPARREMBERGUER) E FABRIZZIO (DUDA FERRETTI).

Já era quinta-feira e voltamos para o Vale dos Vinhedos para realizar uma cena difícil: um acidente de carro com um automóvel de época, ambulância, enfermeiros e o nosso personagem “o chefe”, enfermo na maca após a colisão do seu carro contra um muro de pedras. O acidente em si não ocorreu, não poderíamos nem mesmo deixar um raspão no MP Lafer do colecionador que nos emprestou a máquina. Mas a cena era difícil pois o nosso ator João França não dirigia há muito tempo, muito tempo mesmo. E, aqui, não só precisava dirigir um carro esportivo, antigo e caro, como dar texto falando no celular. Tudo errado, não? É, mas o França deu conta do recado, dirigiu, atuou e realizou maravilhosamente sua interpretação. A cena ficou linda com aquele MP Lafer vermelho se deslocando pelas belas estradas outonais do Vale dos Vinhedos.


O ATOR JOÃO FRANÇA EM UMA IMPROVISADA AULA DE DIREÇÃO COM A PRODUTORA
 E A PREPARAÇÃO DA CENA DO ACIDENTE.

À tarde, mais emoção. Chegamos na Estação Feroviária de Bento às três e meia da tarde para rodarmos uma cena às quatro e meia, quando a tradicional Maria Fumaça, que faz o passeio turistico entre Bento e Carlos Barbosa deveria estar chegando na Estação. Acontece que a informação do horário foi desencontrada e, na verdade, a Maria Fumaça chegaria apenas às cinco e meia, ou seja, praticamente à noite. Essa cena é uma conversa no celular do “chefe” com o Marco, que está na Itália. Como lá o fuso horário está cinco horas na frente do Brasil, e a cena gravada na Estação Termini de Roma foi durante o dia, aqui no Brasil a cena do “chefe” deveria ser gravada de dia também. Por isso, chegamos a conclusão que a única forma era nos deslocarmos até Garibaldi e realizarmos a cena lá, onde a Maria Fumaça faz uma parada antes de realizar o percurso final até Bento Gonçalves. Assim, pegamos a van, com equipe reduzida, e saímos para Garibaldi, pois faltavam apenas vinte minutos para a Maria Fumaça deixar a “Terra do Champagne”. Por isso, eu que conheço a região, propus ao motorista da van, o Xarão, um atalho por dentro da Estação de Ski de Garibaldi. Eu sabia que havia uma estrada turística que saía de dentro do parque e chegava exatamente na Estação Ferroviária. Essa Estação de Ski foi muito famosa e frequentada nos anos 70 e 80. Infelizmente, descobri da pior forma possível que ela está abandonada, fadada a desaparecer em meio ao mato que cresce apagando o antigo ícone de glamour da Serra Gaúcha. A estrada que eu conhecia estava fechada pelo mato há apenas uns quatrocentos metros da Estação Ferroviária. Por isso, a equipe foi obrigada a descer da van e correr pelos trilhos, dividida entre a necessidade de realizar a cena e o medo de chegar atrasada na estação, com o trem partindo. Por isso, primeiro garantimos o texto do “chefe”, num cenário com a cidade ao fundo e, depois sim, corremos em direção a Estação para realizar a segunda parte da gravação que seria a Maria Fumaça passando pelo chefe e seu funiconário-puxa-saco, Josias. Felizmente, tudo deu certo, chegamos a tempo de gravar novamente o texto de França no timming perfeito com a saída do trem da Estação. A cena ficou muito engraçada com aquele gigante de ferro crescendo na câmera, quase engolindo o “chefe” e seu fiel escudeiro Josias. 


MICHEL ZANATTO (JOSIAS) E JOÃO FRANÇA (O CHEFE)

Depois, todos felizes, entramos van para voltar pela mesma Estrada de paralelepípedos. Como havia chovido até o domingo, o mato, que tomava conta de parte da estrada, não deixou a van vencer o aclive. A equipe teve que suar um pouco e empurrar a van até conseguir sair dali. Mas valeu a pena, a cena ficou muito divertida, bonita e inusitada. Imaginamos essa cena como um contra-ponto entre o Marco, na Estação Termini em Roma, rodeado por trens modernos e o “chefe”, aqui no Brasil, atendendo o telefone numa antiga Estação de Trem onde uma Maria Fumaça chega do passeio turístico. Gravar essa cena no meio do mato ficou ainda melhor pois o contraste entre Itália e Brasil se potencializa. Uma cena divertida que pode ter inúmeros subtextos, nos fazendo pensar toda a questão do transporte ferroviário na Europa e na América Latina.

As gravações de Sapore d’Italia terminaram na sexta-feira. Depois de um mês de gravações no Brasil e na Itália, toda a equipe seguiu unida e satisfeita com o trabalho realizado. Na sexta-feira passamos o dia nos Estúdios da Majola Vídeo, onde gravamos as cenas internas da produtora do “chefe” e o estúdio de TV onde Marco reencontra Francesca, que vem da Itália para fazer as pazes com ele. Haviamos vencido todas as dificuldades que um projeto como esse impõe e agora estavamos fechando as gravações da série no  conforto de um grande Estúdio em Bento Gonçalves, depois de termos viajado todo o Vêneto com uma equipe pequena que precisava carregar equipamento, figurino e objetos de arte nas costas e montar a base até no meio das praças, maquiando no meio das ruas e figurinando em banheiros de cafés ou restaurantes. Uma equipe mambembe, que só assim conseguiu realizar esse projeto, porque se desapegou da situação ideal de gravação e encarou o trabalho de frente, apostando na criatividade e na vontade de realizar, agora estava acomodada no conforto do Hotel Viverone, em Bento, gravando no Estúdio Majola, prestes a bater a última das mais de 1000 claquetes que a Iuli Gerbase fez ao longo de todo o projeto. Quantas lembranças passavam por nossas cabeças enquanto gravávamos os últimos planos de Sapore d’Italia. E então, finalmente chegou o ultimo “corta”, todos se abraçaram e se beijaram e a Mariana Müller, minha sócia na Epifania Filmes, Produtora Executiva e Diretora de Produção da série, chorava aliviada, como uma criança que tira dez no exame final e passa de ano. Depois de jantar no restaurante Dom Peppe, que nos ofereceu um jantar por duas noites seguidas, a equipe se reuniu no hotel e brindou o sucesso das gravações com muitos espumantes da região, finalizando com uma festa no quarto do hotel, toda a equipe dançando e conversando ao som do DJ Bruno Padjem. Até nisso Sapore deu certo, apesar de toda a confusão que pode ser uma festa com mais de vinte pessoas num quarto de hotel, nenhum hóspede reclamou e a festa foi longe até de madrugada.


CENAS GRAVADAS NA TRANQUILIDADE DA ÚLTIMA DIÁRIA.

Mas tudo isso não teria sido possível sem os inúmeros apoios que recebemos durante o ultimo anos de produção. Por isso, gostaria também de reforçar o agradecimento da equipe a toda a comunidade de Bento Gonçalves. Fomos muito bem recebidos na cidade e o sucesso das gravações deve muito a esse acolhimento por parte da Secretaria de Turismo, através da secretária Ivane Fávero e da Denise Holleben; do Sindicato dos Hotéis da Região Serrana, através da vice-presidente Márcia Ferronato; do Esportivo, da Majola Vídeo, do Lar do Ancião, da Santo Antônio, empresa de transporte que levou e buscou nossos figurantes no set de filmagem; do restaurante Sbornia’s, do restaurante Piacenza, da House Beer, do restaurante Botafogo, da vinícola Don Giovanni, do pessoal do Hotel Viverone, da família da Denise Holleben, que nos permitiu gravar o casamento na sua propriedade em Linha Eulália; do César Prezzi, parceiro que está sempre junto, acreditando nos nossos projetos; e de todos os bravos figurantes e atores locais que foram extremamente profissionais e pacientes nas gravações. Muito obrigado a todos.

Sapore d’Italia vai ao ar em agosto desse ano, será a primeira série de ficção da RBS TV gravada no exterior e, acredito eu, um diferencial profissional para todos que tiveram a oportunidade de participar desse projeto. Torço muito para que a familia Sapore d’Itália siga unida, produzindo mais e mais projetos nos próximos anos. Torço também para que Sapore d’Italia agrade ao espectador da RBS TV, pois foi pra isso que trabalhamos nele com tanta dedicação ao longo do ultimo um ano e meio. Um brinde à equipe, à Bento, à Itália, ao Vêneto e aos sabores da Itália e do Brasil.


EQUIPE FELIZ E EMOCIONADA (DE NOVO) APÓS O ÚLTIMO TAKE.



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